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Profissionais acreditam existir uma desvalorização do curso de comunicação
Com o passar dos anos, o mercado de trabalho ficou mais competitivo. É comum as pessoas ingressarem em uma faculdade com o intuito de obter uma vida financeira mais segura. Os estudantes universitários buscam aprovação em concursos públicos por proporcionar estabilidade. Mas há áreas em que a procura é maior do que a oferta, como é o caso do jornalismo.
Adailson Oliveira é formado e atua na área há 15 anos. Segundo ele, existe uma política de desvalorização do profissional desse ramo. “Antigamente, o jornalista tinha até aposentadoria especial. Outra coisa é a questão do diploma, que foi uma conquista de anos de luta, mas caiu novamente”, reclama. Para Oliveira, a falta de concurso é até comum e, embora critique essa carência, prefere trabalhar em empresas privadas de comunicação.
Formada há seis anos, a jornalista Gislaine Vidal diz que a falta de concursos é um problema do poder público. “É muito raro a oportunidade de vagas para jornalistas. Quando acontece, são pouquíssimas. Acho que isso reflete a pouca perspectiva do poder público em divulgar as ações deles mesmo”, expõe. Entretanto, conforme a comunicadora, há outras formas de conseguir renda. “Acho que podemos ganhar dinheiro sem a fatia do governo. O único concurso que me atrairia seria federal, onde a remuneração é mais vantajosa”, defende.
Para o acadêmico do oitavo período em comunicação pela Universidade Federal do Acre (Ufac), Renan Pereira, a ausência de concurso público acontece pela pouca importância dada à área. De acordo com ele, o estudante deve observar bem o curso para saber das possibilidades de trabalho, antes que se arrependa. “Em momento algum pensei no mercado de trabalho. O que é um erro, porque quando se pensa, alguns direcionamentos são feitos ainda na academia”, analisa.
O doutor em comunicação e semiótica Milton Chamarelli, professor na Ufac, acredita que a falta de concurso público na área se deva ao fato de uma não valorização ao profissional ou do não reconhecimento da sua importância. “O conhecimento técnico é essencial, e sabemos que, no nosso estado, isso nem sempre é valorizado”, avalia. Ele aconselha que a melhor maneira de entrar no mercado é o estágio. “O acadêmico deve procurar, em primeiro lugar, a sua inserção em um estágio que o valorize profissionalmente. Todos precisam aplicar o quanto a academia proporcionou enquanto formação, e isso só um bom estágio pode propiciar”, pondera.
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