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Cerca de 24% da população de países desenvolvidos desempenha funções no período da noite
Segundo estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente cerca de 20% das populações dos países desenvolvidos trabalham no período noturno. Nos grandes centros urbanos, é cada vez mais comum estabelecimentos como postos de gasolina, farmácias, lojas de conveniência e redes de supermercado funcionarem 24 horas. Além disso, longe de ser uma opção, trabalhar no turno da noite faz parte da rotina de profissionais como médicos plantonistas, enfermeiros, frentistas e vigilantes, entre tantos outros.
No Acre são muitos os trabalhadores que trocam o dia pela noite em suas jornadas de trabalho. O vigilante João Trindade Barboza trabalha na área de segurança há 16 anos e acredita ser muito mais vantajoso trabalhar no período noturno. “ Pelos anos de experiência que tenho trabalhando a noite, penso ser melhor. Apesar de não recuperar o sono perdido, trabalhar a noite é mais tranquilo e os salários são melhores”, afirma.
Para algumas pessoas, o trabalho noturno não é por opção e sim por necessidades da profissão. É o caso do maqueiro do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), Evanir Severino da Silva, que desempenha essa profissão há nove anos. “Trabalhar durante a noite não é fácil, são noites de sono que jamais serão recuperadas. Esta é sem dúvida a maior desvantagem”, relata.
“Minha remuneração como trabalhador noturno é que me faz continuar, pois sei que como funcionário público é a melhor forma para receber melhor”, diz o maqueiro. De acordo com Silva, se as condições de remuneração do servidor público melhorassem, ele não pensaria duas vezes em trocar o trabalho noturno por um durante o dia.
Riscos à saúde dos trabalhadores
Médicos afirmam que troca do dia pela noite não traz benefícios à saúde. “Os danos a saúde do trabalhador noturno pode ser de caráter físico e mental. Entre os danos mais comuns podemos citar o colesterol alto, infarto do miocárdio e a sídrome de Burnout que nada mais é que um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso”, explica o clínico geral, Francisco Rodrigues.
Um estudo da OMS realizado com mulheres mostrou que as profissionais que trabalhavam no turno da noite tinham maiores chances de desenvolver o câncer de mama. Também foram constatadas alterações nos ritmos cardíacos e propensão a queda nas defesas imunológicas destes trabalhadores.
O clínico geral relata que o nível de estresse tende a ser mais acentuada em profissionais de jornada noturna devido a tendência ao repouso do organismo neste horário, o que o torna mais propício a doenças já que o sistema imunológico é afetado.
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