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Promovendo ações inclusivas e ensinando como vencer o preconceito através da dança
A escola Clínio Brandão, situada na Via Verde no bairro floresta, realiza o projeto dança na escola com apoio do programa Mais Educação. Além de melhorar o desempenho escolar, contribui para a socialização e comportamento dos estudantes. A escola já ganhou prêmio de gestão pelas ações que realiza.
A estudante Andelina Kashinawá, 14 anos, fala da importância da dança na sua vida. “A dança representa muito para mim, antes eu era rebelde com os meus pais e irmãos. E tive a oportunidade de participar do projeto e comecei a dançar e a sentir a dança como uma coisa boa. No primeiro dia, comecei a bagunçar, depois me envolvi”, afirma.
Mãe de Andelina, Maria Kashinawá, diz apoiar essa iniciativa da escola e se diz agradecida pela transformação da filha: “A Andelina era muito rebelde. Toda escola que ela estudava era só reclamação. Foi ficando adolescente e só piorou, brigava até com os professores. Apareceu a dança no Mais Educação e hoje ela mudou completamente, eu gosto muito que ela participe”, comenta.
Andelina fala ainda que depois que começou a participar das aulas de dança tudo mudou. Ela mesma parou de ter preconceitos contra sua etnia e passou a respeitar as outras pessoas e os pais. “Meus colegas me chamavam de negra, índia, cabloca e eu batia neles, me sentia magoada e chorava muito com o preconceito que eles tinham comigo. E a professora começou a conversar. Hoje, mudei bastante o meu comportamento em casa e na escola. Pretendo futuramente ensinar a dança pra outras pessoas”, revela.
A professora do projeto, Camila Cabeça, realiza trabalhos de dança na escola Clínio Brandão há mais de um ano. Ela conta que quando começou teve que enfrentar dificuldades relacionadas ao preconceito. “O projeto atende alunos que tinham problema de disciplina, é o caso da Andelina. Uma adolescente cheia de problemas com a questão da identidade. A mídia trabalha com o corpo magro, olhos azuis e cabelo loiro e trabalhamos a desconstrução de tudo isso. Tenho um diálogo importante com os pais. Essa relação de parceria entre os pais e a escola é fundamental”, ressalta.
O aluno Afonso Dias, portador de deficiência física, é cadeirante e também participa da dança. Afonso fala que mesmo na cadeira de rodas é possível ter uma vida normal. “A deficiência não é obstáculo minha vida. A dança mudou tudo antes eu não fazia nada, estou aprendendo. A professora Camila me ajuda muito, eu me achava perdido quando entrei e agora temos até convite para fazer apresentação em Belém do Pará. Nada é impossível”, conta o aluno.
Outro professor do Projeto Mais Educação, Rodolfo Minary, ressalta a importância de se trabalhar a cultura na escola através da musica e da dança. “Trabalhamos ritmos folclóricos vulcô, baião, maracatu. A maioria chegou com pouca noção de ritmo. Tive que trabalhar com musicalidade desde o início. Os alunos estão saindo muito bem, já cantam na partitura e como compositor estou ensinando algumas canções. Eles gostam bastante temos futuras parcerias até gravar um cd quem sabe”, diz.
Para a diretora da escola Clínio Brandão, Jaqueline Souza, a linguagem artística é muito importante dentro da escola, ela tem o poder de aproximar, dividir as diferenças. “Quando começamos a trabalhar com a dança percebemos que os alunos começaram a desenvolver a questão humana, o respeito, a trabalhar em equipe pontos principais da dança e da percussão”, conta.
A diretora acrescenta que teve que trabalhar a conscientização sobre os preconceitos com alguns ritmos ensinados. “Trabalhamos as danças populares, o carimbó, o maracatu, o boi que são de raízes africanas. Encontamos dificuldades quando se começou a ouvir os tambores muitas pessoas das famílias dos alunos falavam que era macumba. Usando o termo folclórico como sendo de religiosidade. Explicamos que tudo se trata da cultura brasileira e conversamos com os pais sobre essa questão.”
A professora Camila Cabeça enfatiza que a arte é uma florzinha no cartaz. “A arte é transformadora e libertadora. A cultura afro sofre preconceito. É tão sério que teve que virar lei. Não acredito no dia do índio, do negro ou da criança. Mas acredito nas iniciativas que venham mudar isso”.
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