| Ouvindo a voz do Caladinho |
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| Escrito por Fábio Carvalho | |||||||||
| Sáb, 12 de Novembro de 2011 19:24 | |||||||||
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Moradores anseiam por melhores condições de vida e respeito a seus direitos básicos
O Caladinho tem pouco mais de cinco anos de existência, mas nesta curta trajetória, muitos percalços vêm delineando sua história. O próprio nascimento do bairro está ligado a uma questão polêmica, pois nasceu de uma invasão, e, até hoje a situação é indefinida. Assim, a maioria da população sobrevive em condições precárias, muitas vezes dependendo da ajuda de outras pessoas para conseguirem um mínimo da dignidade garantida por lei.
As principais reclamações dos moradores são com relação à segurança. “A gente até dá uma força para ajudar, pois a necessidade é grande”, diz o Sr Antônio da Conceição, morador do bairro há seis meses. A luz também é apontada como um dos problemas da região. “Quando a gente sai de casa tem de desligar tudo da tomada por que senão queima, a energia vem muito forte”, diz um dos mais antigos moradores do bairro, conhecido por Zezão, que teve sua casa incendiada devido a um curto circuito. De acordo com o Departamento de Medição e Fiscalização da Eletrobrás, parte do bairro se regularizou após os protestos causados pelo corte geral de energia, em maio de 2010, mas ainda é alta incidência de ligações clandestinas.
Os moradores explicam que para estudar é preciso se dirigir aos bairros mais próximos, como Tancredo Neves, o que dificulta o acesso a este direito básico, principalmente para quem estuda à noite. “A própria família da gente corre risco, na saída do bairro, da aula, pois a marginalização é grande“, diz Sr.Antônio. Em Julho deste ano, alguns professores da Escola Pedro Martinello (EJA) foram ao bairro para verificar “in loco” as razões da ausência de alunos do ambiente escolar, o professor Hildebrando Bichara diz em seu blog que encontrou uma comunidade esquecida por nossos representantes, “Durante a visita vi a falta de saneamento básico, falta de ruas pavimentadas, redes de esgoto, calçadas, rede elétrica entre outros, daí percebi, que o principal motivo, dentre outros, que afastam os alunos de realizarem os seus sonhos, talvez seja os perigos que o bairro oferece, pois à noite tudo é escuro, e na volta para casa ficam expostos a todos os tipos de riscos, assim é melhor desistir dos estudos e preservar a vida’’, analisa o professor. Mas os moradores reconhecem que enquanto a situação legal do bairro não se define é difícil resolver todos os problemas, pois alguns direitos estão diretamente ligados à legalidade. “A gente não pode nem citar muito por que não passa ainda de uma invasão”, diz Sr.Antônio. Além disso, a visão de que o Caladinho é uma região perigosa só prejudica os trabalhadores do bairro, que acabam pagando pelos poucos que cometem atos ilícitos. Um exemplo desta contradição é a recente suspensão das linhas de ônibus satélite no bairro devido a atos de vandalismo, situação que exclui parte desta mesma população ao transporte coletivo. O RBTRANS divulgou que a decisão foi tomada pelos próprios moradores, em Assembléia, e que desta forma a linha circular voltará a atender o bairro e será aumentado o número de ônibus atendendo a região. Embora a resolução dos problemas do Caladinho ainda esteja longe de acontecer, ações sociais vão sendo construídas para, aos poucos se delinear o caminho da cidadania, e esta realidade vai dando sinais de transformação. Uma das medidas do governo tomadas para atender as necessidades locais foi tomada no início de 2011, quando o Governador Tião Viana solicitou que o Programa de Formação e Fomento aos Pequenos Negócios, da Secretaria de Secretaria de Estado de Pequenos Negócios (SEPN) priorizasse o Caladinho e os bairros vizinhos, viabilizando cursos técnicos profissionalizantes para os moradores. De acordo com Gilson Silva, técnico do Instituto Dom Moacir, parceiro da SEPN para a realização dos cursos, este é um projeto que continua ativo. “Já formamos várias turmas e dispomos de cursos diferentes, como Corte e Costura, Manicure, Mecânico de Motos, Pintura, etc”. Ele explica que os cursos possuem em média 100hs, e alguns, como o de corte e costura, recebem 20hs adicionais, enfocando o Empreendedorismo. “Um dos objetivos é resgatar a auto-motivação dos moradores, proporcionando autonomia”, explica. Veja aqui um Infográfico com alguns fatos marcantes do Caladinho |
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| Última atualização em Qua, 16 de Novembro de 2011 18:57 |
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